Motivo de medo entre a maioria das gravidinhas, o parto costuma ser a parte considerada pior e mais temida da gravidez. Para as gravidinhas, digo que existem realmente partos que são difíceis, mas é melhor pensar que são excessões. Vou contar a minha experiência, que nem foi tão ruim assim.
A data provável de parto do André era dia 29/08/2003, eu entrei de licença maternidade (da escola) no início de agosto pra poder curtir o que pensava que fossem os últimos dias de gravidez, minha mãe achava que eu não chegaria até o dia 15/08 mas....
Chegou dia 29/08 e eu tranquila, sem dores, só com os desconfortos normais dessa fase. Fui na maternidade e fiz alguns exames (ultrassonografia e cardiotocografia) e estava tudo bem. O médico pediu que eu voltasse em três dias e novamente aconteceu a mesma coisa... depois de mais três dias fui de novo e o médico pediu que dia 05/09 eu fosse em jejum pra lá, 06:30 da manhã, pois estaria com 41 semanas e ele não queria esperar mais.
Dia 05/09, o meu ex-sogro me buscou em casa e me levou, minha irmã mais velha foi pra me acompanhar. Estava com dois dedos de dilatação, mas não sentia nada. Fui preparada pra internação, fizeram aquela limpeza intestinal (enema) e a tricotomia (raspagem de pêlos). Fui pro pré-parto bem tranquila, lembro que achei exagero aquelas mulheres gritando e chorando de dor, afinal eu não estava sentindo nada!
Fui pro soro pra induzir o parto, e logo comecei a sentir umas colicazinhas, que no início eram bem fraquinhas e depois aumentaram um pouco. A essa altura o Alexandre entrou no quarto pra ver como eu estava, e conforme eu falava com ele, as cólicas iam aumentando e eu ia ficando mais agitada... Até que a enfermeira veio e perguntou se eu queria anestesia peridural, levei em conta dois fatores: a intensidade da dor e meu estado emocional. Conclusão: tomei a peridural, pois apesar de as dores não estarem insuportáveis, eu não estava em condições de aguentá-las, pois tinha um turbilhão de pensamentos sobre o futuro, e o passado na minha cabeça. E olhar para o pai do meu filho ali, do meu lado, com a maior cara de paisagem do mundo, estava me deixando ainda mais nervosa!
Disse a ele: 'Está vendo o que fez comigo?'. Ele, na maior cara de pau, retrucou: 'Você quem quis assim.'. Ou seja, nem na hora do parto o cretino não pôde me confortar de alguma forma, e ainda teve a pachorra de jogar na minha cara que por ele nosso filho não nasceria. Mandei que ele saísse.
Depois da anestesia, dormi e quando acordei, lá estava ele sentado do meu lado me vendo dormir... As enfermeiras trouxeram um copinho de gelatinha pra mim, pois eu estava em jejum ainda. Vomitei tudo logo em seguida, inclusive no sapato do 'papai' hehehhehe.
As dores voltaram e como já fazia mais de três horas que eu tinha tomado a peridural, tomei um reforço, que infelizmente não surtiu efeito.
A médica rompeu a bolsa e quase três horas da tarde (lembrem-se que eu fui internada às oito da manhã) ela decidiu que tava na hora, eu tinha que ir pra mesa de parto.
Lá ela percebeu que o neném era grande e teve que fazer a episiotomia, que é aquele corte no períneo, mas eu não tinha forças pra empurrar e o bebê tava demorando pra nascer. Ouvi ela comentar com a assistente que a 'mãezinha está fraca, vamos ajudar com o Fórceps', aquilo me serviu de incentivo e eu tirei forças não sei de onde e empurrei, segurando forte na mão da minha irmã (o pai tinha ido em casa, almoçar) e finalmente nasceu!
Eu chorava de ouvir aquele chorinho mais lindo, e a carinha preciosa do meu pequeno ilumiram minha vida. A pediatra colocou na balança e a surpresa: meu bebê pesou 4,065Kg e mediu 53cm! Eram um bebezão!
Aí que a coisa complicou, pois ele era muito grande e a episiotomia não foi suficiente, de modo que a pele rompeu bem mais. Iniciou-se uma hemorragia que deu um trabalhão pra ser contida, tive que ficar no soro um tempão, nem pude amamentar direito ele nos primeiros momentos. Mas o que eu achei pior que o parto em si foram os benditos pontos que tive que levar, em virtude do tamanho do meu pequeno, foram mais de vinte! Tem anestesia local, mas como levei muitos, no final a anestesia já tinha passado e eu senti os últimos, dói muito mais que o parto!
Enfim, eu posso dizer que na hora que ele nasceu, foi sem anestesia, pois eu senti tudo. Não foi nada de tããão insuportável assim, se fosse com certeza as mulheres teriam sempre somente um filho.
E hoje, eu vejo o meu pequeno com quase três anos e meio de pura independência, e estou disposta a começar tudo de novo, pois graças a Deus não fiquei com trauma de parto, não!